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PAULA RUIVO

. A APRESENTAÇÃO DO LIVRO A ERVILHA QUE QUERIA IR DE FERIAS FOI UM SUCESSO AUTORA PAULA RUIVO

domingo, 3 de janeiro de 2010

O ÂMANHÃ


O ÂMANHÃ

Todos percebemos a origem de um calendário são apenas convenções organizadoras da temporalidade, olhamos para as passagens de ano encerramento de um ciclo e inicio de outro.
Precisámos de dividir o tempo de o pontear,de o diferenciar,de dar à sequência dos dias e das estações cores festivas e coloridas que nos ajudem por um lado, quebrar a rotina e eventuais monotonia,por outro,a permitir guardar em memória o que de excepcional e diferente aconteceu.

Presos em quotidianos sem grandes eventos, tornamo-nos incapazes de olhar para trás e distinguir uma semana de trabalho, semana de tarefas domésticas, uma conversa com amigos ou colegas em que o tempo passa tão rápido, mas ao mesmo tempo agradável de se poder conversar de vários assuntos. Boas gargalhas enfim muitas coisa a que por vezes fica por dizer.

A certa altura do nosso percurso de vida,começamos a dizer que o tempo passa depressa,querendo exprimir a estranha sensação de que a repetição de gestos é,de alguma forma,alienante ,já que automatiza pensamentos e emoções.Sem sabermos como, damos por nós a pairar no tempo,como se tentássemos cavalgarmos que parecem nascer de todo o lado e esconder os dias, sem no entanto conseguirmos acertar com os outros.

Desta luta pouco estimulante entre o que tem de ser feito,o que mesmo que irrelevante é necessário, e um certo desejo de grandiosidade e gratificação que julgámos saber onde encontrar, de corre uma conflitualidade pouco barulhenta mas incomodativo que mina a capacidade de fruir o vulgar e o banal de que se fazem as vidas.Daí que este exercício de repartir o tempo, de inventar finais e reinícios, de celebral o que passou e saudar com energia o que há-de vir, de nos implicar em recomeços no meio de um estudado clima de festa,possa ser mais do que parece.

Porque somos seres de simbólico que valorizamos muito mais as ideias que temos sobre as coisas do que as coisas em si,precisamos de olhar para o que há-de vir com os olhos redondos de exercitação e promessas por cumprir. Precisámos da ideia de futuro para alimentar e credibilizar quem somos nos presentes.

Tatão

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